Fisgadas pela inclusão

3 de dezembro
Dia Mundial das Pessoas com Deficiência

A deficiência é assunto frequente das minhas conversas e de crónicas que escreve neste jornal e em outros jornais.
De algumas dessas crónicas tive retorno, alguns comentários e algumas palavras de apreço.
A informação dos jornais é rápida e de influência passageira, logo empurrada pelas notícias de última hora, tudo em movimento a cair no buraco das brancas do esquecimento.
E quando a crónica leva como assunto a deficiência, mesmo sem a participação activa do empurrão, desce ao buraco da indiferen¬ça e da inutilidade, mesmo antes da leitura.
A deficiência como assunto fica ao lado de muita gente, só a agarram aqueles que andam por perto, que a sentem, em si ou nas pessoas mais próximas, como os filhos.
Porque durante anos denunciei situações, critiquei e levei aos jornais informação, que julgava de interesse para quem navega na barca da deficiência, onde também estou, voltei a algumas das crónicas publicadas para as deixar em livro, com outras informações mais recentes.
De aí um livro que está para ser publicado.

Um livro que espero chegue aos que sentem a causa da defi¬ciência.
Um livro, mesmo que de interesse restrito, não vai para o lixo, onde vão poisar os jornais. Um livro vai para uma estante para aí ficar depois de lido ou à espera de ocasião para leitura, talvez procurado para responder a alguma dú¬vida, a algum testemunho e interesse de um leitor, uma possível oferta a um amigo.
Foi assim que decidi trazer algumas das crónicas, durante anos semeadas por jornais, para as páginas do livro está para ser publicado.
Crónicas marcadas pelo momento, pelas circunstâncias da época em que foram escritas.
Procurei libertá-las das fronteiras do tempo, no que julguei ser mais adequado para aqueles que navegam na barca onde navego.
A Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, está no centro desse livro.
A Convenção é a arma, a fisga de onde saem e se justificam as fisgadas, que são críticas, denúncias, descontentamentos, avisos, alertas para a promoção de uma vida de inclusão.
E aqui está o título: Fisgadas pela inclusão.
Título escolhido depois de ter passado por outros possíveis.
Como eram crónicas de intenção crítica, de denúncia, pas¬saram a ser “fisgadas”. Podiam ser ”pedradas”. Também podiam ser “farpas”, mas “farpas” tem autor consagrado e de respeito a pedir contenção no atrevimento.
“Fisgadas pela inclusão”, porque as “fisgadas” ou “pedradas” pretendem forçar a abertura de portas às pessoas com deficiência para estarem na sociedade de todos, com os mesmos direitos, com as mes¬mas oportunidades, com o mesmo respeito, com a mesma considera¬ção, porque inclusão é isso mesmo.
Um livro que chega ao público no dia 2 de dezembro.
O dia 3 de dezembro é o dia Mundial das Pessoas com deficiência.
Depois de um persistente andar pelos artigos da Convenção dá para concluir que as pessoas com deficiência têm suportes legais para serem respeitadas, consideradas e reconhecidas.
Também a riqueza do mundo não é propriedade só de alguns, mas de todos, também dos deficientes. Todos com direi¬tos à inclusão, sem restrições, sem limitações e sem exclusões.
Não basta ficar pelo reconhecimento do direito à vida, é necessário exigir todos os meios para uma vida com dignidade, porque a riqueza do mundo não é só de alguns, mas de todos. Também das pessoas com deficiência. De aí o direito a pensões e a apoios que permitam uma vida com dignidade.
O livro tem como principal objectivo alertar para a Con¬venção como código de direitos internacionalmente reconhecido.
Código que tem de estar sempre presente, como referência nas reivindicações, nas barreiras do quotidiano.
O 3 de dezembro é o Dia Mundial das Pessoas com Deficiência, por determinação da ONU.

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