mãos

As mãos

Quando sinto a tua mão na minha mão, eu sei se estás bem ou estás mal.
Quando a tua mão agarra a minha roupa, eu sei que precisas de mim para te levar pelos caminhos do nosso bairro.
Quando tu apertas com força as tuas mãos, eu sei que tu estás aflito, ansioso.
Quando tu com a tua mão puxas a minha mão, eu sei que tu queres de mim que te resolva aquilo de que tu não és capaz.
Quando tu com a tua mão bates na tua cabeça, eu sei que tu estás com dores.
Quando tu com a tua mão agarras o meu braço e até me fazes sangue com as unhas da tua mão, eu sei que tu estás inseguro, inquieto, aflito.
Quando tu poisas tua mão suavemente na minha mão, eu sei que tu me queres junto de ti numa conversa em silêncio que nós dois bem compreendemos sem palavras inúteis.
Pela tua mão tu passas-me o que tu sentes, o que tu de mim queres e precisas.
A tua mão fala-me sem palavras.
A tua mão é a tua linguagem, a tua fala sem palavras.

Manuel Miranda

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